13.6.05

Eugénio de Andrade

O Porto hoje está cinzento e triste. Acho mesmo que vai chover esta tarde. Morreu Eugénio de Andrade que provavelmente ajudou muita gente a escrever e comunicar melhor.

TENHO O NOME DE UMA FLOR

Tenho o nome de uma flor
quando me chamas.
Quando me tocas,
nem eu sei
se sou água, rapariga,
ou algum pomar que atravessei.

in «As Mãos e os Frutos», 1948

A Roda na Net

A Roda dos Alimentos, material didáctico de grande qualidade produzido através de uma parceria do Instituto do Consumidor com a Universidade do Porto está disponível on-line para consulta e "download". A informação de qualidade, gratuita, rápida e sempre à sua disposição. Quem disse que em Portugal tudo funciona mal ?

12.6.05

Escrever ciência e ler Egito Gonçalves

A Feira do Livro do Porto acaba mas não se perde a oportunidade de ler o Porto através deste grande poeta que foi Egito Gonçalves. Para quem não gosta das noites de Domingo aqui fica um pouco da sua poesia que nos acalma e faz melhores.

"Entre o teu sono e o meu há um estreito corredor que ao olhar dos outros se apresenta como um simples espelho. Atravesso-o para encontrar os lábios que no sono me procuram, realizando-me como sombra amável que se transfigura no clima lunar de uma paixão que soube evitar os violentos tremores de terra. O sono é um país enevoado onde nos insinuamos, fingindo ser fantasmas, pássaros invisíveis, pelo prazer de criar um jogo no qual a meia-noite figura como simples referência de um beijo que une os dois seres que na noite profunda dormem um para o outro."

Poema publicado no Mapa do Tesouro (1998), editora Campo das Letras.

11.6.05

Creutzfeldt-JaKob

Leio a notícia do primeiro caso da variante humana da doença das vacas loucas e sinto um arrepio enorme. Pela doença e sofrimento enorme deste jovem e família mas principalmente pelas postura dos nossos responsáveis políticos. Alguns excertos: "a aquisição pode ter ocorrido antes de 1999" altura em que o programa de controlo da BSE em Portugal começou a ser posto no terreno. Outro exemplo " a protecção do consumidor está a funcionar" ou ainda "Já fomos considerados um país de risco". Este sacudir de água é o mesmo dos políticos que durante anos no Ministério da Agricultura ocultaram propositadamente a doença nas vacas, o que levou a diversas demissões de técnicos que não concordaram com esta mentira lesiva da saúde pública. Provavelmente estes pais irão colocar o Estado Português em tribunal. Não seria má ideia.

9.6.05

Comer nas escolas

Para quem está interessado em compreender o "sistema" alimentar nas escolas portuguesas aqui fica informação interessante.

Notícias boas

A Universidade do Porto disponibiliza aos seus alunos: Bases de dados ,Periódicos online , Dissertações , E-books , Catálogos na U.Porto e Outros catálogos tudo através da net. São milhares de publicações e revistas internacionais em PDF ao clicar de um dedo. Tudo fácil e imediato. Só não aprende quem não quer. Porque nos queixamos tanto deste nosso país e não fazemos qualquer coisa por ele ?

6.6.05

Emílio Peres

Começo a semana com a escrita simples, luminosa e de grande qualidade do mestre Emílio Peres. A reler sempre. Todas as manhãs.

Primeiro almoço
"Os nutrimentos fornecidos pelas últimas refeições de véspera já estão gastos à hora de acordar. Quando o jejum se prolonga ou a primeira refeição é insignificante, o organismo recorre às suas reservas e destroi proteínas estruturais; entra em perda. Em consequência, destreza e qualidade de trabalho deterioram-se, atenção e tempos de resposta a estímulos são prejudicados, capacidade intelectual baixa, a fadiga instala-se. O apetite cresce ao longo da manhã e induz um almoço copioso."

2.6.05

O espanto em números (mais violento)

Para os que querem ver para crer (sobre o espanto do mês) aqui ficam alguns dados da USDA National Nutrient Database for Standart Reference, release 17:

Quantidades de Sódio (Na) em algumas porções consumidas habitualmente:

As más da fita:
Batatas fritas de Fast-food (porção pequena - 85 g) - 168 mg Sódio
As (até agora)"boas" da fita:
Kellog's Special K (1 taça - 31 g)- 224 mg Sódio
Golden Grahams (1 taça - 30g) - 260 mg Sódio
Aqueles que ninguém consome e a metade do preço:
Flocos de aveia em pacote cozidos em água (1 taça - 234 g) 2 mg Sódio

Espantoso não é... ?

O sódio e o espanto do mês

Todos sabemos que o consumo excessivo de sódio é um dos grandes problemas na alimentação dos Portugueses, que sofrem as suas consequências, entre elas a hipertensão e o AVC. Façam agora um teste. Comprem um pacote de batatas fritas e um pacote de cereais de pequeno almoço tipo "corn-flakes" com rotulagem onde esteja indicada a composição em sódio. Analisem a quantidade de sódio. O resultado será espantoso. A quantidade de sódio presente em algumas gamas de cereais de pequeno almoço ultrapassa ou iguala as de algumas batatas fritas de pacote. No entanto a publicidade e os profissionais de saúde incitam ao consumo destes cereais e desaconselham o consumo de batatas fritas como algo de prejudicial para a saúde, em especial das crianças. A repensar a nossa estratégia actual de comunicação. Urgente.

30.5.05

Pepe Carvalho outra vez

Do livro “La soledad del manager” aqui fica um fragmento das conversas e pensamentos de Pepe Carvalho o detective gastrónomo criado por Manuel Vásquez Montalbán:

“El pato estaba asado. Separó Carvalho los muslos, las pechugas y las alas y desmenuzó las carnes restantes con inclusión de las delicadas vísceras. Unió el picadillo a los jugos huidos del pato y a un puñado de aceitunas sin hueso......
Tras cuatro llamadas una luz de sobresalto precede la aparición de Fuster en lo alto de una terraza con balaustrada blanca. ¡Vaya horas!¿Un incendio?
Un salmís de pato.
¿Qué?
He guisado un salmís de pato. El bicho no es muy grande pero no me lo voy a comer solo.
¡Si son las dos y media de la madrugada!
Un salmís de pato.
¿Pato joven?
Un patito.
Vete abriendo las botellas que voy para allá.

O Carvalho regresó a su casa con excesiva lentitud o el gestor corrió empujado por el fresco húmedo y la resurrección del apetito, lo cierto es que, cuando se reunieron, Carvalho no había tenido tiempo de descorchar la botella de Montecillo. Dejó Fuster sobre la mesa de cocina un cestillo del que era portador, lleno de frutos secos de Villores, de miel sin refinar de Villores y unas extrañas pastas pertenecientes a la familia cultural de las pastas secas populares en cuya composición entra necesariamente el huevo y la almendra.

Estas pastas las ha hecho mi cuñada. Son de Villores.
Me lo temía.....
Abre el gestor el horno y retira la fina nariz estremecida de placer mientras cierra los ojos.
Te has superado a ti mismo.
Una ensalada de apio refresca las fauces de los dos hombres antes de lanzarse sobre el aromático salmís.
Aquí hay una contribución fundamental de Villores. Le has puesto trufa. Sí.
Eso no es ortodoxo. En el salmís no se pone trufa.
Se pone lo que a uno le sale de los cojones del alma.
Ah, bueno. Eso sí.”

29.5.05

A feira do livro e Pepe Carvalho

A feira do livro está aí. Sei qua a maioria gosta de ler e não dispensa um bom policial, inteligente e com humor. Imaginem agora que o detective principal desse livro é um galego, ex-agente da CIA e óptima boca. E que os livros estão cheios de referências à boa mesa, à alimentação mediterrânica e aos sabores e saberes do sul. E que o autor desses livros, traduzidos para português, é também autor de livros de cozinha e um dos mais mais importantes escritores espanhóis contemporâneos. Cultura, boa mesa, grandes policiais e humor fino. De que estão à espera para ir até ao pavilhão da Caminho e pedir um livro de Manuel Vasquez Montalbán. Entre outros gostei de ler "As termas" e "O Quinteto de Buenos Aires". Bom proveito.


"Manuel Vázquez Montalbán nasceu em Barcelona em 1939. Romancista, contista, cronista, ensaísta, poeta, jornalista, autor de livros de cozinha, Manuel Vázquez Montalbán é, em toda esta múltipla actividade, sempre perfeitamente inconfundível. A facúndia, a invenção narrativa, o ímpeto do sarcasmo e da ira, o gosto pela imagem, a capacidade de invocar os cheiros e os sabores e uma inteligência que constantemente perscruta e desvenda, são a marca forte do enorme talento de Montalbán."

A Espanha aqui tão perto

A Espanha continua a dar lições na área alimentar. Desde Maio podemos aceder ao site história de la cocina com informações de muita qualidade sobre a história dos alimentos, dos utensílios e de tudo o que relaciona a alimentação com a cultura. O site é patrocinado pelo Ministério da Educação e Ciência Espanhol. Muita qualidade e prazer para quem gosta das coisas da alimentação.

24.5.05

Cerveja e desporto - mais achas para a fogueira

A cerveja não deve ser bebida após um esforço físico pois:

"Para além disso, é desaconselhável utilizar esta bebida para repor líquidos no corpo, devido às suas propriedades diuréticas. “É verdadeiramente conveniente tomar uma bebida diurética no momento em que as reservas hídricas do organismo estão desfalcadas? Em teoria, poderá mesmo agravar este défice. Não podemos esquecer que a prioridade do organismo, quando terminado o esforço, é restabelecer o volume plasmático (...)"

"(...) a cerveja é também pobre em sódio, substância importante na recuperação do volume plasmático e na dissolução dos desperdícios (...)"

"Há ainda um terceiro factor que desaconselha o consumo desta bebida logo após esforços físicos: as influências nefastas do álcool no organismo. Esta substância é rapidamente absorvida pelo organismo e “perturba o metabolismo e a capacidade do organismo em restabelecer a glicemia (...)"

Extraído do livro “L’aliméntation du sportif en 80 questions” de Denis Riché, publicado no Público.e patrocinado pelo Instituto do desporto.

22.5.05

Marinha em Grande

A Câmara Municipal da Marinha Grande (não sei a cor partidária da Câmara e ainda bem) disponibiliza no seu site informação sobre nutrição a todos os interessados. Informa ainda sobre as actividades que realiza em favor de uma melhor alimentação na região, em especial nas escolas. Que sorte têm os municípes da Marinha Grande. Não devíamos todos ter esta consideração por parte das nossas autarquias ?

Porto

A cidade surpreendente tem o Porto e as suas fotografias mais bonitas. A comunicação pela imagem vale mil escritas.

Water is cool

"Water is cool" é o nome de uma campanha que decorre em Inglaterra a favor do consumo de água nas escolas. A documentação sobre esta campanha que é realizada em parceria com o Colégio de Pediatria Inglês revela os bons resultados encontrados e as dificuldades sentidas. Sendo a água um bem público, fundamental na luta contra a obesidade e não devidamente reconhecido, talvez fosse altura de nas comunicações fazermos algum esforço em prol deste líquido essencial à nossa qualidade de vida.

21.5.05

Benefícios da cerveja

A discussão sobre os benefícios do álcool prolonga-se. Diversos trabalhos científicos, alguns interessantes outros não, parecem descrever alguns benefícios do consumo moderado de álcool, quer seja cerveja, vinho ou espumante. Por outro lado, diversos sectores da saúde e educação, alertam para o facto de o consumo de álcool poder ser uma das principais causas de morte entre nós, devido às consequências directas (doença oncológica, cirrose...) e indirectas (acidentes de viação, acidentes no trabalho..) e uma causa importante de problemas sociais (gravidezes indesejadas, violência doméstica...). Posto isto, a divulgação dos benefícios do consumo do álcool encontrados em alguns trabalhos académicos (que são limitados a diversas populações estudadas e não totalmente extrapoláveis para toda a sociedade portuguesa onde existem milhares de bebedores excessivos à espera de uma palavra para beberem mais) deve ser feita com muito cuidado e ponderação. Este cuidado ainda deve ser maior em jornais independentes das pressões económicas do forte lobbi cervejeiro e com consciência social, como é o caso do jornal Público. Ora o artigo publicado no sábado dia 21 de Maio, na revista XIS do Público com o título - Benefícios do álcool, desmerece a opinião anterior. A jornalista Fernanda Andrade (fernanda.andrade@xis.publico.pt) "copia" a argumentação da edição portuguesa da brochura da "The Brewers of Europe" publicada pela APVC, sem consciência crítica. Bem sei que a jornalista escreve a peça como bem lhe apetece com o pouco tempo que tem. Mas depois de se ler o artigo fica-se com a sensação de que beber cerveja é algo que beneficia a saúde e o bem-estar geral das populações, o que não está de todo provado nos estudos parcelares apresentados. Ou seja, nenhuma das afirmações e citações da peça está totalmente errada. O que me parece errado é a ordenação e tamanho dos argumentos que no seu conjunto final dão uma informação essa sim, pouco isenta e balanceada. Escrevam e discutam as vossas opiniões para aqui, para a jornalista ou para a direcção da revista(xis@xis.publico.pt).

19.5.05

Água

O combate à obesidade infantil faz-se de coisas simples. Segundo dados de 2004 da OMS cerca de 40% dos adolescentes bebe refrigerantes diariamente. Cada lata de água e açúcar fornece aproximadamente 140 calorias que adicionados todos os dia à ração normal equivale a alguns quilos a mais ao fim do ano. Instalar bebedouros de água gratuitos nas escolas, nos locais públicos, nos pavilhões desportivos, nos centros comerciais ou nos locais de trabalho contribuiria decisivamente para resolver este problema. Já fez alguma coisa para que tal acontecesse no seu local de trabalho ou na sua escolas ou dos seus filhos ?

17.5.05

Obesidade infantil - Outra vez

Realizou-se ontem uma interessante conferência sobre obesidade infantil que triplicou entre nós desde 1980. Os dados são aparentemente muito preocupantes. A DECO e a comissão organizadora deste encontro do qual fiz parte propõe algumas medidas parta combater a obesidade. A saber:

Um dúzia de medidas para combate à obesidade infantil

1.Desenvolver acções articuladas (campanhas informativas, sessões de esclarecimento, brochuras, conteúdos on-line, kits pedagógicos) que promovam junto da população uma alimentação mais saudável e estilos de vida mais activos para combate à obesidade infantil;

2.Os programas escolares devem aperfeiçoar a abordagem alimentação/saúde numa perspectiva prática.

3.Deve ser definido o perfil nutricional dos alimentos e bebidas disponíveis nos bares e cantinas da escola que não devem promover e/ou vender alimentos hipercalóricos.

4.No ambiente escolar, deve ser limitada a presença de máquinas de venda, podendo estar presentes quando disponibilizem apenas determinados alimentos dentro do perfil nutricional definido.

5.Os alunos devem ser envolvidos na escolha das ementas das cantinas escolares, de forma a melhorar a sua aceitação em relação às ementas oferecidas.

6.No ambiente escolar, todas as escolas deverão disponibilizar bebedouros públicos gratuitos que devem ser mantidos em boas condições.

7.No ambiente escolar, os espaços de recreio e desporto devem estar sempre abertos (mesmo em períodos não lectivos, férias e fins de semana), com a existência de materiais diversificados e com o apoio e supervisão de professores/monitores/auxiliares de acção educativa.

8.A publicidade dirigida às crianças, durante o espaço da programação televisiva não pode promover produtos alimentares ricos em açúcar, gordura e sal.

9.A indústria alimentar e a restauração devem ser obrigados a reduzir os níveis de gordura, sal e açúcar, presentes nos produtos alimentares e refeições destinadas a crianças.

10.Promover uma política educativa que estimule a participação de crianças e jovens em actividades desportivas e de ar livre.

11.A cidade deve prever a existência de espaços de jogo em áreas residenciais novas ou reabilitadas.

12.Na cidade deve existir zonas pedestres, ruas fechadas ao trânsito e ciclovias comunitárias para todos os residentes;

9.5.05

Precisão

Precisão: uso exacto da linguagem, não exagerando, nem no sentido da acumulação de palavras desnecessárias, nem na falta das que são indispensáveis à sua compreensão.

em "Saber Escrever, Saber Falar - Um guia completo para usar correctamente a língua portuguesa."

8.5.05

"O drama de ser gordo "

Leio a Crónica de Laurinda Alves sobre o drama de ser gordo na XIS de 7 de Maio. " Ser diferente numa sociedade que se pretende de iguais chega a ser perverso e pode revelar-se extraordinariamente doloroso, especialmente quando a diferença tem a ver com o excesso de peso" (...) e os parágrafos sucedem-se alertando para o calvário dos obesos e a idolatria das aparências. Começo a ouvir cada vez mais esta mensagem por todo o lado, em especial nos "filmes animados" onde se começa a lavar a imagem do obeso.
Depois do interesse em lutar contra a obesidade na década de 70 e 80 por parte da comunidade médica, existe uma corrente actual mais a favor da protecção dos obesos (cada vez mais os mais pobres) do que em prevenir este problema de forma séria. O que se passa é que em alguns países do mundo como nos EUA já se chegou à conclusão que lutar contra a obesidade, prevenindo-a, é lutar contra a economia. Lutar contra a obesidade significa a regulação dos refrigerentes, da publicidade na televisão, da "fast-food", da comida escolar, da comida dos shoppings. Enfim... é um atentado à liberalização... Este discurso a favor de alguma regulação do Estado na área alimentar é bem ao gosto de alguns países Nórdicos e também dos Franceses. Receio bem que a "economia" não goste da palavra "Regulação" e menos ainda da alusão aos "Franceses".
E já agora, para quê tentar integrar os indivíduos obesos e com excesso de peso nos EUA quando eles são já a maioria avassaladora da população ?

"No gut no glory" Posted by Hello

A alimentação e o nosso planeta azul

As nossas escolhas alimentares afectam diariamente, e de forma intensa, o meio ambiente. Por exemplo, a energia (MJ) necessária para produzir/empacotar 1 Kg de pêras pode diferir imenso consoante o tipo de embalagem. Assim, uma lata de alumínio de 420 cm3 necessita de 40 MJ/Kg para ser produzida, uma embalagem de cartão com 1Kg de pêras congeladas 24 MJ/Kg, uma embalagem de cartão com 1Kg de pêras frescas de produção local 9 MJ/Kg. Porque não se comunica mais sobre estas questões ? Será porque os danos ambientais são mantidos quase invisíveis nos custos finais do produto ?

O Planeta Azul visto cá de casa Posted by Hello

5.5.05

Comunicar o álcool

Diversos trabalhos científicos têm demonstrado algumas vantagens do consumo moderado de bebidas alcoólicas, vantagens que são pontuais e observadas em casos especiais, não sendo generalizáveis para toda a população. No geral, o álcool é uma substância que pode causar adição (tal como uma droga) sendo causa importante de morte e invalidez entre nós. Segundo o IML, quase metade (47,7 %) dos condutores Portugueses mortos em acidentes em 2004 acusaram na autópsia uma taxa de alcoolemia superior a 0,5 g/l de sangue.

Posto isto, e como matéria de discussão, a forma como se comunica e publicita o álcool é muito "profissional" e efectiva. Aqui fica um excerto do site da Associação Portuguesa dos Produtores de Cerveja (APCV)

"CERVEJA PODE SER COMPLEMENTO NUMA DIETA SAUDÁVEL
Apesar das matérias-primas a utilizar na produção de cerveja estarem bem definidas na legislação – água, malte de cevada, outros cereais (maltados ou não) e lúpulo, qualquer cerveja contém mais de 400 compostos, que conferem a esta bebida propriedades nutricionais e funcionais."
(...)
"CERVEJA COM MODERAÇÃO É BENÉFICA PARA O CORAÇÃO
O consumo moderado de cerveja diminui o risco de doenças cardiovasculares e não contribui para a obesidade, concluíram dois estudos da Universidades de Londres e do Porto, apresentados em Lisboa no dia 14 de Julho."
(...)
Apesar dos esforços de marketing, o número 47,7 % não me sai da cabeça...

4.5.05


The drinkers by Van Gogh Posted by Hello

Refrigerantes, comunicação e saúde, SA.

Informação copiada integralmente do site da Coca-cola Brasil:

"Como os refrigerantes contribuem para uma alimentação sadia?
Os refrigerantes contribuem para a alimentação de duas formas. Como a água é o seu principal componente, eles ajudam a matar a sede fornecendo água para o organismo. Recomenda-se que as pessoas consumam cerca de 2 litros de água por dia e os refrigerantes, pelo sabor agradável que possuem estimulam este consumo. Além disto, os refrigerantes adoçados com açúcar fornecem carboidratos que são facilmente utilizados pelo organismo como fonte de energia."

Sem comentários...

Coca-cola AllPosters.com Posted by Hello

3.5.05

A República das Bananas

Por cada Euro de bananas do Equador compradas num supermercado, o agricultor recebe 1,5 cêntimos, o dono da plantação recebe 31 cêntimos (dos quais 5 cêntimos ficam para a UE), o distribuidor recebe 17 cêntimos e o retalhista do supermercado recebe 40 cêntimos. Muitas vezes o único nativo do Equador é o agricultor. Não sei se com a banana da Madeira ou das Canárias se passa a mesma coisa, mas vale a pena comprar a banana local ligeiramente mais cara e poupar gasóleo marítimo, emissões de CO2 e o fingimento de estarmos a contribuir para o desenvolvimento daquela região da América Central.

Arnie Fisk from AllPosters.com  Posted by Hello

2.5.05

A obesidade afecta-nos a todos

A obesidade é uma das principais ameaças para a nossa saúde e bem-estar. Esta mensagem é comunicada todos os dias. Todos têm consciência dela. Contudo... a proporção de obesos aumenta todos os dias no nosso país. Seremos todos suicídas?

Fernando Botero © 2004 Furman University
 Posted by Hello

Muniz Sodré

Gostei muito da entrevista de Muniz Sodré na Pública de 1 de Maio. Sociólogo brasileiro e teórico da comunicação, deixou algumas pistas de reflexão e vontade de ler a sua obra. A aprendizagem da alimentação de qualidade através do sabor e do conhecimento é uma aprendizagem lenta que exige muita paciência e perspicácia de quem comunica sobre estes temas. Aqui ficam dois excertos da entrevista:

" Tudo é muito curto e efémero, no nível profissional, familiar e amoroso. Tudo é muito fugaz, inclusive a emoção e o sentimento. A informação em excesso é como a metástase do cancro. Não se consegue concentração, tempo de reflexão. Todos os mecanismos de sociabilização demorados são incómodos."

" É preciso compreender a palavra afecto na sua magnitude. Afecto significa mobilização de emoção. A emoção é acrítica, se você me agride eu fico emocionado e revido. Já o sentimento, exige reflexão e pausa. A esfera mediática convoca a emoção porque precisa dela para mobilizar audiências, mas fora dela as pessoas têm dificuldade em se entregar ao sentimento. Temos de ter uma sensibilidade lúcida para conseguir ultrapassar a emoção e chegar ao sentimento."

Já agora, a nosso relação (como nutricionistas) com os alimentos é feita de emoções ou de sentimentos ?

27.4.05

Comunicar em ciência

Quem comunica em ciência aprende bastante ao ler poesia. A forma de escrever o essencial para passar uma ideia e tornar esse essencial luminoso é uma tarefa que se aprende... também a ler. Como escrever curto e certeiro? Talvez um poeta nos ajude. Recorro a Nuno Júdice, um Senhor poeta sempre luminoso que publicou neste mês de Abril, o seu novo "Geometria variável", na Dom Quixote, como é habitual.

Como se faz o poema
"Para falarmos do meio de obter o poema,
a retórica não serve. Trata-se de uma coisa simples, que não
precisa de requintes nem de fórmulas. Apanha-se
uma flor, por exemplo, mas que não seja dessas flores que crescem
no meio do campo, nem das que se vendem nas lojas
ou nos mercados. É uma flor de sílabas, em que as
pétalas são as vogais, e o caule uma consoante. Põe-se
no jarro da estrofe, e deixa-se estar. Para que não morra,
basta um pedaço de primavera na água, que se vai
buscar à imaginação, quando está um dia de chuva,
ou se faz entrar pela janela, quando o ar fresco
da manhã enche o quarto de azul. Então,
a flor confunde-se com o poema, mas ainda não é
o poema. Para que ele nasça, a flor precisa
de encontrar cores mais naturais do que essas
que a natureza lhe deu. Podem ser as cores do teu
rosto - a sua brancura, quando o sol vem ter contigo,
ou o fundo dos teus olhos em que todas as cores
se confundem com o brilho da vida. Depois,
deito essas cores sobre a corola, e vejo-as descerem
para as folhas, como a seiva que corre pelos
veios invisíveis da alma. Posso, então, colher a flor,
e o que tenho na mão é este poema que
me deste."
Nuno Júdice, Abril 2005

Obesidade infantil

A DECO convida (a entrada é gratuita) e é irrecusável:

"A DECO vai realizar um Seminário - A Obesidade Infantil: uma nova epidemia, no próximo dia 16 de Maio na FLAD (Fundação Luso Americana) em Lisboa.
Este Seminário é uma actividade que resulta da preocupação desta associação em conjunto com um grupo de especialistas e personalidades, em relação ao problema da obesidade infantil. Neste Seminário, esperamos poder analisar e reflectir sobre esta realidade em Portugal e propor iniciativas/medidas que possam contribuir decisivamente para inverter a tendência actual.
Certos do V. interesse, vimos convidar V. Exª para participar nesta iniciativa, enriquecer o debate e contribuir para a discussão de medidas que urgentemente devem ser adoptadas."

Uma ajuda aos bloggers

Para todos aqueles que querem melhorar a sua escrita na net aqui vai um site (ou sítio) muito pedagógico.

26.4.05

Um projecto muito interessante na Madeira

Na Madeira continuam os projectos interessantes na área da Nutrição. Os vários Nutricionistas que lá trabalham estão envolvidos em várias frentes com muita qualidade. Este projecto é na área da Educação alimentar. Uma excelente notícia e um projecto com pernas para andar, também no continente, onde se continua a marcar passo em algumas áreas.Alguém quer comentar ?

18.4.05

Como avaliar a qualidade da informação recebida ?

Como avaliar a qualidade da informação recebida ? Para além das questões da qualidade científica, existem outros formatos para fazer esta avaliação. Um deles é explicado em detalhe no virtual chase. Boas leituras.

Escrever simples

Rima Rudd é professora na Universidade de Harvard, Boston e escreveu recentemente um artigo que vale a pena ler sobre a necessidade de escrever de novo ("Rewriting") muitos dos textos sobre saúde destinados ao grande público. Segundo ela, muitos dos textos produzidos nesta área são de difícil compreensão para a maioria da audiência. Nos EUA, 46 a 51 % da população adulta tem dificuldade em ler materiais escritos, daí esta necessidade. (Em Portugal poderão ser ainda mais ?)Assim, em vez de se produzirem novos textos, não será mais fácil olhar para estes documentos, localizar os problemas e tentar a sua correcção ? Ao longo do artigo, explica-se o processo com diversos exemplos práticos. Aceitam-se comentários.

Já agora, que tal aplicar este método à maioria dos pequenos textos que acompanham os medicamentos? Estas bulas são muito importantes para a correcta utilização dos medicamentos. Contudo, e em muitos casos, são quase indecifráveis para a maioria dos utilizadores. O facto de estes documentos serem impenetráveis aumenta o poder dos decifradores... Será este o objectivo, será mero descuido ou existem outras razões que me escapam ?

(Caros bloguinhos, como já devem saber, durante esta semana o nosso trabalho vais ser olhar para o texto central que acompanha a Roda dos Alimentos e reformulá-lo de acordo com os conceitos da Plain Language. Podem colocar nos vossos blogs as partes originais e as corrigidas,lado a lado.)

5.4.05

Plágio

Uma leitura importante sobre o plágio nas universidades ou aquela coisa "aparentemente inofensiva" para alguns que é copiar parte de um trabalho do colega.

Obs. Plágio é a apresentação de palavras ou ideias de outrem como nossas

4.4.05

Texto da Semana - Chocolate preto controla diabetes e tensão alta...

O MNI-Médicos Na Internet continua a debitar pérolas como esta. Acham que informa ou desinforma ? Eu tenho uma ideia clara sobre este 24 horas do jornalismo médico.


Chocolate preto controla diabetes e tensão alta......mas engorda
(Bloginhos este é o texto da semana)

"Se cada vez que trinca um chocolate fica com remorsos, esta notícia vai ajudá-lo a aliviar esse stress. Tudo porque, segundo um estudo da Universidade de L''Alquila, em Itália, comer chocolate preto pode ajudar a controlar a diabetes e a tensão arterial.
O estudo, feito com 15 pessoas, verificou que comer 100 gramas de chocolate preto diariamente, durante 15 dias, provocou uma queda de tensão arterial.
A equipa de investigadores também comprovou uma melhoria na capacidade do corpo em metabolizar o açúcar, o que é um problema para os diabéticos. No entanto, comer a mesma quantidade de chocolate branco não teve qualquer efeito, de acordo com os cientistas.
No artigo publicado no American Journal of Clinical Nutrition, os cientistas dizem que o antioxidante _denominado flavanol _ é o responsável pelo efeito, dado que neutraliza as substâncias potencialmente danosas para às células, conhecidas como radicais livres.
Apesar dos benefícios do chocolate preto, o investigador Cláudio Ferri, no entanto, alerta as pessoas para que tenham cuidado com o consumo de chocolate. «O chocolate preto contém antioxidantes, mas também muita gordura e muitas calorias», explicou.
«As pessoas que querem adicionar chocolate à dieta precisam retirar quantidades equivalentes de calorias, reduzindo outros alimentos, para evitar ganhar peso.»
Num artigo na mesma edição do jornal, o nutricionista Cesar Fraga, da Universidade da Califórnia, disse que os resultados ligados à tensão arterial parecem ter credibilidade.
Outros alimentos ricos em flavanol, como o chá e o vinho, têm efeitos semelhantes sobre a tensão arterial. «A identificação de alimentos saudáveis e a compreensão de como os componentes dos alimentos influenciam a fisiologia vai ajudar a melhorar a saúde da população», acrescentou.
Amanda Vezey, especialista em diabetes no Reino Unido, destacou à BBC que o estudo é pequeno, mas mesmo assim, interessante. «As pessoas com diabetes podem comer chocolate preto com moderação, como toda a gente».
«No entanto, recomendamos às pessoas com diabetes que tenham uma dieta balanceada, com pouca gordura, pouco sal e açúcar, muitos legumes e frutas, combinado com exercícios regulares para ajudar a controlar a doença.»"

Como esvrever um texto de divulgação científica

No IFIC encontra-se um texto muito interessante sobre as competências a desenvolver para se escrever materiais de qualidade na nossa área. Sugiro leitura.

3.4.05

Acompanhada publicidade a bebidas alcoólicas

A propósito da publicidade às cervejas sem álcool destinadas aos desportistas entre outros (ver post anterior) gostaria de chamar a atenção para a existência de uma Comissão que acompanha a publicidade a bebidas alcoólicas. Claro que esta Comissão não acompanha a publicidade à cerveja sem álcool, visto esta bebida não ser alcoólica, mais se parecendo um refrigerande à base de cevada. In APAN (29-02-2004):

"Acompanhada publicidade a bebidas alcoólicas -Boas práticas

Entraram já em velocidade cruzeiro as actividades da Comissão de Acompanhamento do Código de Boas Práticas na Comunicação Comercial das Bebidas Alcoólicas (Comissão) - constituída pela APAN, APAP, APCV, Viniportugal e ANEBE.
A Comissão assumiu em Fevereiro a análise sistemática da publicidade a estes produtos, na televisão, imprensa e outdoor. (...)
No âmbito da sua função pedagógica, a comissão irá chamar a atenção às entidades que se afastam do espírito do código.
É, no entanto, de louvar que genericamente a publicidade das bebidas alcoólicas é cumpridora. Há no entanto alguns ajustes a fazer que regra geral têm a ver com a introdução da frase "seja responsável, beba com moderação".

A cerveja com responsabilidade social

Os produtores de cerveja à conquista de novos mercados encontraram nas "sem álcool" um novo filão. Os bebedores quando têm de conduzir ou os iniciantes ao consumo como as mulheres e os mais jovens podem assim ir treinando o sabor para novos voos mais alcoólicos. Fidelizam-se novos bebedores e, por outro lado, pode-se assim contornar a lei que impede a publicidade a bebidas alcoólicas na rádio e na televisão entre as 7 e as 22.30. Entretanto é possível às cervejeiras assumirem um papel de aparente maior "responsabilidade social" competindo neste campo com o vinho que não consegue oferecer produtos sem álcool. Ganha-se em várias em frentes. Ou sou eu que estou a ficar cada vez mais irónico e hipócrita... ? Talvez estas empresas não estejam a fazer mais do que a promover o desporto nacional e a possibilitar aos desportistas, a crianças e aos condutores beberem à vontade sem criar grandes barrigas. O que acham ?

In Central de Cervejas :

COM A NOVA ZER0%: SAGRES CRIA SEGMENTO DAS CERVEJAS PARA ATLETAS

Jogadores da Selecção Nacional dão a cara pela nova cerveja

A Sagres Zer0% é a aposta da marca para o segmento de cervejas sem álcool, apresentando-se como a alternativa saudável para quem não dispensa o sabor da cerveja Sagres tradicional e, do ponto de vista desportivo, quer ter uma vida muito activa.
Ideal para desportistas, esta é uma cerveja de puro malte, com um carácter assumidamente refrescante, que combina os benefícios do lúpulo com a ausência quase total de álcool.
A marca Sagres consegue, assim, reafirmar a sua aposta na inovação, adicionando ao portfólio um produto que manifesta a preocupação da empresa ao nível da responsabilidade social.
À venda desde 15 de Março, exclusivamente no formato 33 cl OW, Six Pack. a Sagres Zer0% será comunicada através de uma campanha de publicidade que contará com a participação dos futebolistas Moreira, Hugo Viana e Hélder Postiga, todos eles pertencentes à Selecção Nacional. A campanha representa um investimento de mais de 1 milhão de euros e abrangerá outdoors e spot televisivos e estará no ar a partir de amanhã, 18 de Março.

31.3.05

Os Nutricionistas a ética e comunicação

A propósito da participação dos Nutricionistas na divulgação de ciência recordo, para ajudar à discussão, o que diz o Código de Ética dos Nutricionistas Brasileiros. Artigo 9º - É vedado ao Nutricionista: " X - valer-se da sua profissão para divulgar e/ou permitir a divulgação, em veículos de comunicação de massa, de marcas de produtos ou nomes de empresas, ligadas às atividades de alimentação e nutrição". O que acham desta obrigação ? Faria sentido em Portugal ?

20.3.05

Espaço público e o livro de José Gil

Em tempo de Páscoa recomendo a leitura do livro do filósofo José Gil "Medo de existir" um já best-seller, à luz de dois textos que aqui comentámos.
Segundo o autor "Trinta anos depois do estabelecimento da democracia como funciona o espaço público em Portugal? A contatação é a de que não existe. Está por fazer a história do que, nesse plano, se abriu e quase formou durante os anos »revolucionários» do pós-25 de Abril, para depois se fechar, desaparecer e ser substituído pelo espaço dos média que, em Portugal, não constitui um espaço público.
Como definir esse espaço aberto de expressão e de troca, essencial para que a liberdade e a criação circulem num campo social ? Determinemos primeiro como se manifesta a sua ausência na sociedade portuguesa.
Não há debate político:nem sequer na televisão que cria um espaço artificial, com regras predeterminadas que limitam a espontaneidade das intervenções, o acaso, e a participação desse «fora» que faz toda a riqueza da espressão pública."

Nos textos sobre a Segurança alimentar, o espaço público de debate deste problema é levantado pelos média, e neste espaço apresentado e discutido, sem que no espaço público existe um tão amplo debate. Quanto à educação alimentar, o seu espaço tem vindo a ser ganho pela índustria alimentar sem que exista um espaço público para debater a veracidade das afirmações proferidas e o sentido ético de algumas campanhas. Faz falta um espaço público de debate destas questões onde os nutricionistas e outros interessados possam participar. Este blog no ciberespaço é apenas o início deste espaço público. O que acham ?

16.3.05

Trabalho individual

No Webct já está informação sobre os trabalhos individuais, datas, o que é para fazer, etc.

15.3.05

A propósito de comunicação

A propósito de comunicação ou de não comunicação vale a pena ver o filme - MILLION DOLLAR BABY, dirigido por Clint Eastwood e escrito por Paul Haggis baseado no livro "Rope Burns" de F.X. Toole com Clint Eastwood, Hilary Swank e Morgan Freeman. São 132 minutos de grande intensidade. Para além das questões fortes da eutanásia e de como a igreja responde a estas questões, vale a pena perceber o processo de comunicação, que vai da indiferença total de Frankie Dunn por Maggie Fitzgerald até à revelação do seu cognome em gaélico. Tudo por meias palavras, quase como que a dizer que no processo de comunicação falar baixo e pouco e fazer algo de forma consistente é o que conta mais.

11.3.05

Um outro artigo interessante

No mesmo site o texto sobre cárie é também muito curioso e bem escrito. O que acham ? Um texto sem falhas é um bom texto de divulgação de ciência ?

Comentar um site

Ler um site de uma empresa que divulga informação sobre o açúcar é um acto intelectual interessante. Leiam o texto sobre obesidade que é deveras estimulante.

10.3.05

Site meter

O Site Meter permite visualizar quantas pessoas vão acedendo ao vosso blog e é muito fácil de instalar. Basta clicar no seu símbolo que se encontra no fim da página e depois de entrar no site, voltar a clicar duplamente no símbolo em movimento no início e fazer o "sign in".

Entre o interesse jornalístico e o interesse público

Nos últimos anos, não existindo uma organização governamental a falar sobre as questões da alimentação, têm sido os meios de comunicação social os principais divulgadores desta informação. Na área da higiene e sanidade alimentar podemos verificar esta situação com maior intensidade. A crise da BSE, dos nitrofuranos ou mais recentemente do molho inglês são exemplos. No entanto, o interesse jornalístico pode não ser igual ao interesse do nutricionista na abodagem ao problema. No caso presente, da segurança alimentar, a divulgação do estado aparentemente caótico (empoladamente?) da nossa máquina fiscalizador é por si uma notícia importante e com substância jornalística. Mas para o nutricionista que trabalha junto da comunidade, interessa-lhe mais ajudar o consumidor a fazer escolhas acertadas no meio da confusão reinante, ou então, explicar como pode participar e influenciar o sistema contribuindo para a sua transparência.
A informação sobre o estado anárquico do sistema pode contribuir para a sua reformulação mas, para o cidadão, esta informação aumentará ainda mais a sua desconfiança.Como deve intervir o nutricionista nestas situações ? Aceitam-se sugestões.

9.3.05

Como comentar ?

A propósito do texto saído no Público, podemos olhar para ele de várias formas. Comentando um dos textos que mais gostaram ou pelo contrário olhando para o geral e verificando como é que a questão da Segurança alimentar foi tratada.

8.3.05

O público e a segurança alimentar

Recentemente o jornal Público lançou um caderno especial sobre segurança alimentar que vale a e ler e comentar.

9.2.05

Primeiro Comentário

A ADA apresentou um documento de consenso sobre qual deve ser a posição dos Nutricionistas relativamente à comunicação em nutrição. Aqui vai parte do texto completo. O resto pode encontrar em http://www.eatright.org/Member/PolicyInitiatives/index_21027.cfm.

Roles of Dietetics Professionals

Dietetics professionals have an important role in effectively communicating unbiased food and nutrition information to the public. They need to strengthen their status as being among the most valued source of nutrition information, as cited in the ADA Trends 2000 Survey (4).

There are two ways in which dietitians can promote nutrition, health and well-being. The first alternative is to tell the public what they should or should not eat. The second is to “help consumers understand the principles of a healthful diet and empower them to achieve it.” Although some members of the ADA have commented on the disadvantages of the second approach, it was chosen because it is more inclusive of cultural differences and personal preferences. In order to achieve this goal, the Board of the ADA approved the objective to focus nutrition messages on total diet, not individual foods (88).

How Dietetics Professionals can Communicate Effectively

In order to communicate effectively, dietetics professionals must continue to:
  1. provide proactive, positive, and practical messages whenever possible;
  2. promote a wellness perspective and an enjoyable eating pattern as part of an overall healthful lifestyle;
  3. use successful educational intervention strategies based on models that promote behavioral change;
  4. tailor messages to meet individual needs; and
  5. evaluate effectiveness of nutrition programs.

Dietetics professionals need to strengthen skills, continuously update professional competencies, and document the outcomes of their work in order to retain leadership in nutrition communications. Suggested techniques to achieve these goals are: building coalitions with industry, government, academia and organizations; using the full range of new communication technologies, particularly the Internet; taking advantage of opportunities to communicate with professional colleagues and the public, such as giving presentations and writing publications to influence social norms and public policy; acting as role models of active participation in local and professional associations; maintaining state-of-the-art knowledge through continuing education; fostering goodwill by enthusiastic and positive interactions; and having a professional and unbiased approach to promoting healthy eating patterns.


ADA Position adopted by the HOD Leadership Team on September 13, 2001. This position is in effect until December 31, 2006. ADA authorizes republication of the position statement/ support paper, in its entirety, provided full and proper credit is given. Requests to use portions of the position must be directed to ADA headquarters at 800/877-1600, ext 4835, or ppapers@eatright.org.
Recognition is given to the following for their contributions:
Authors:
Jeanne Freeland-Graves, PhD, RD (The University of Texa6 at Austin); Susan Nitzke, PhD, RD (University of Wisconsin-Madison)

24.1.05

De regresso

Com a Primavera inicia-se mais uma época semestral do escrita na mesa. Ao longo deste tempo de ausência pude constatar a total ausência de referências às questões da alimentação e nutrição por parte dos diversos programas eleitorais. Os partidos concorrentes às próximas eleições não têm nada a dizer sobre esta questão ? Estaremos atentos nos próximos meses.

3.8.04

Notas

Caros bloguinhos 2003/2004

Por favor vejam as vossas notas temporárias aqui. BOAS FÉRIAS.

21.4.04

Olfacto ou literatura ?

A escritanamesa de Manuel Carvalho e David Lopes Ramos, a propósito de uma prova de “excelentes” colheitas onde foram testados 42 vinhos, publicada no Fugas de 17 de Abril deste ano: “ (...) o de 1990 ostenta ainda uma cor carregada e aroma fechado; o de 1991 é um vinho fresco, com notas de compota de frutos pretos e passas de figo; (...) Finalmente, os “colheitas”, com vinhos que nos comovem, como os de 1890 (engarrafado em 1977), de 1900, 1920 e 1922, frescos, com graus diferentes de secura e notas meladas, muito ricos; outros que nos surpreendem pelo grau de qualidade, com destaque para os de 1937, 1940, 1955 e 1963, com as suas notas de torrefacção, frutos secos, mel e álcool doce e um fim de boca que nunca mais acaba. Desilusão só a colheita de 1970, com notas esquisitas de enxofre e borracha queimada.”

Será esta escrita objectiva ou pura literatura ?

18.4.04

Buffet

Luis Fernando Verissimo é um escritanamesa de muito interesse. No seu livro mais recente "A mesa voadora" da Dom Quixote explica em várias lições como atacar uma mesa de "buffet". Aqui vai um excerto:

"Estude o terreno - O planejamento é importantíssimo. Ao entrar na festa, examine cuidadosamente o buffet. Resista à tentação de começar a botar camarões no bolso. Isto é apenas um reconhecimento.
Decore a localização dos pratos mais importantes. Geralmente há 17 tipos diferentes de salada de batata. Concentre-se numa para não perder tempo depois.
Faça uma anotação mental do melhor acesso à lagosta, se houver. Lembre-se de que dois ou três pedaços de lagosta valem uma travessa de peito de perú em qualquer mercado de valores do mundo. Decida-se por uma estratégia de ataque. Se preciso, estude uma ação diversionista. Na hora de avançar, diriga-se resolutamente para os embutidos e, à última hora, desvie rapidamente para a lagosta, confundindo o inimigo."

16.4.04

Obesidade e genética

Vai-se ouvindo aqui e acolá quando se fala em obesidade do papel dos determinantes genéticos nesta situação. Por exemplo, a obesidade é devida a um conjunto de factores em que o factor genético tem um papel importante. Este discurso mediático culpabilizador do indivíduo que "não teve sorte com os seus genes" tenderá a ser mais visível nos próximos tempos por parte de alguns actores da área alimentar.

As características genéticas poderão predispor, algumas pessoas mais do que outras, para a obesidade. No entanto, o que se sabe actualmente é que o factor calórico é o determinante essencial do aumento da obesidade nos países ocidentais. Em especial quando o preço e a disponibilidade de certas matérias primas como o açúcar e os óleos vegetais passaram a permitir o seu uso generalizado na alimentação humana. O combate à obesidade passará essencialmente, na minha opinião, pela disponibilização de alimentos de grande qualidade nutricional (como hortícolas e fruta, por ex.) a preços acessíveis a toda a população e na capacidade das forças políticas entenderem que o investimento no consumo destes produtos é um investimento económico na sociedade.

15.4.04

Acrilamida II

Continuamos atentos ao que se escreve sobre este assunto. O suplemento semanal dos Diários de Coimbra, Aveiro, Leiria e Diário regional de Aveiro refere na sua edição de 2 de Abril que "Os alimentos com acrilamida motivam discordância científica". Como vê o público este assunto ? Gostava de saber qual a opinião dos leitores quando se expõem apenas os factos com estudos contraditórios. Será que esta informação imparcial mas confusa para o leitor é a mais interessante ? Colocadas as dúvidas da ciência perante factos novos ainda em investigação qual a reacção dos leitores ? Será este tipo de informação útil ?

Estas questões são ainda mais importantes quando hoje existe uma necessidade enorme de lançar temas novos nos meios de comunicação social e, por outro lado, são estes temas os que mais assustam e preocupam os leitores. Esta pressão irá manter-se no futuro. A necessidade de divulgar potenciais malefícios ou benefícios para a saúde decorrentes da ingestão alimentar em áreas pouco conhecidas será crescente e baseada em evidência científica de fraca qualidade. Como reagir a esta situação ?

14.4.04

A Associação Portuguesa dos Nutricionistas (APN) alerta para o facto de existirem no nosso país " diversas situações de má prática na área da nutrição, levadas a cabo por pessoas que não estão devidamente habilitadas para tal e que colocam em causa a saúde pública, os interesses dos consumidores, bem como a imagem profissional dos nutricionistas". Concordo totalmente e acho que face à desregulamentação existente (o consumidor deve estar atento... é o que se diz...) o melhor mesmo é a classe reagir e apontar casos de má prática. Não creio que seja corporativismo. Face à falta de fiscalização e de orientação nestes casos, a classe deve estar unida. Por falar em má prática, continuam as más práticas comunicacionais, agora na revista Vogue de Março 2004, com o artigo "Alimentos que curam - Será que o salmão e as nozes substituirão o Xanax e o Prozac ? "
O tema até poderia ser interessante, mas no fim ficamos com a impressão de que o consumo regular de salmão, de ovos fortificados com ómega-3 ou ainda de azeitonas, pode ser a solução para tratar depressões. Curamos a depressão e morremos ainda mais de AVC devido ao sal das azeitonas. Curamos a depressão e deixamos o pescado da nossa tradição rico em ómega-3 (sardinha, cavala...) para passar a consumir salmão importado e alimentado a ração. Será que não existe outra forma sensata de pegar no assunto ? Porque importamos estas traduções sem relação com a realidade Portuguesa ?

MENOS PLÁSTICO

O jornal Globo analisa a utilização de sacos de plástico nos supermercados e o que se está a fazer na Austrália para combater este problema. Este é um custo ambiental relacionado com a compra de alimentos nos supermercados. E em Portugal não podemos fazer nada ? Entretanto, chamo a atenção para os excelentes jornais brasileiros disponíveis on-line e em Português....

" O ministro do Meio Ambiente da Austrália, David Kemp, disse que os supermercados do país devem atingir a meta de redução de uso de sacolas de plástico em 25% até o fim deste ano. Kemp observou que a redução nos poucos meses desde que o compromisso foi assumido já chegou a 12%. Segundo a GreenBiz, a diminuição é resultado de um pacto voluntário entre o governo e o setor, e gerou o Código de Práticas do Varejo. Desde sua adoção, em outubro de 2003, o acordo já foi firmado por 90% dos supermercados australianos, que vêm conduzindo campanhas de educação de consumidores e funcionários, incentivando a adoção de sacolas reutilizáveis. O artigo informa que mais de 50% das 6,9 bilhões de sacolas plásticas usadas na Austrália estão em supermercados."

8.4.04

O escritanamesa vai de fim de semana Pascal. Regressamos já, já. Tenham uma boa Páscoa.
Já me esquecia... A propósito deste projecto, a Comissão Europeia enviou um press release com um resumo dos dados. Pelo menos, um jornal de referência deu no dia seguinte grande destaque ao assunto mas, infelizmente, os jornalistas envolvidos não contactaram os autores do projecto (cujos contactos eram fornecidos) nem fizeram qualquer referência a quem o desenvolve. Limitaram-se a um copy past do press release perdendo assim parte do mais importante que poderia ser dito. Mais tarde e felizmente, os jornalistas da Rádio Comercial e Jornal de Notícias tiveram um comportamento diferente, revelando qualidade e maturidade profissional.

Trustinfood

O nosso projecto Trustinfood continua na ordem do dia. Em colaboração com outros países Europeus, estamos a analisar as condições necessárias para que exista confiança na alimentação e nos alimentos em particular. Entre outros dados interesantes, reparámos que nos países onde existe um maior nível de confiança nos alimentos existe também mais confiança nas instituições que regulam a qualidade dos alimentos. Ou seja, quem quiser aumentar a confiança dos consumidores nos alimentos, em vez de se preocupar tanto com os alimentos, atribuindo rótulos, etc... devería dar mais atenção a quem faz o quê no sistema e como. Ou seja, a chamada public accountability, palavra para a qual não existe uma tradução em Português. Já agora, quem quiser saber mais sobre o projecto pode visitar a página do Trustinfood.

5.4.04

Sigamos o Cherne

Com a poesia aprende-se a arte de comprimir palavras sem perder o norte. O que vem mesmo a calhar para quem é candidato a divulgar ciência de forma simples e rigorosa.

Alexandre O'Neill, o mais subversivo poeta português, deixou-nos uma série de escritanamesa sobre animais e comidas que por vezes me apetece recordar. Este cherne é de 1958, do tempo da outra senhora (por favor, não fazer confusões...):

Sigamos o cherne, minha Amiga !
Desçamos ao fundo do desejo
Atrás de muito mais que a fantasia
E aceitemos, até, do cherne um beijo,
Senão já com amor, com alegria...

Em cada um de nós circula o cherne,
Quase sempre mentido e olvidado.
Em água silenciosa de passado
Circula o cherne: traído
Peixe recalcado...

Sigamos, pois, o cherne, antes que venha,
Já morto, boiar ao lume da água,
Nos olhos rasos de água,
Quando, mentido o cherne a vida inteira,
Não somos mais que solidão e mágoa...
Não vejo qualquer reacção a esta notícia. A maior parte dos Portugueses também não lê o Público.

4.4.04

BSE: Sistema português de identificação de bovinos sem aprovação de Bruxelas

Notícia da Lusa no Público on-line de Domingo:

"O sistema de identificação de bovinos português, criado na sequência do combate à encefalopatia espongiforme bovina (BSE), funciona há mais de quatro anos sem ter sido aprovado pela Comissão Europeia, revela o bastonário da Ordem dos Veterinários.
(...) O Sistema Nacional de Identificação e Registo de Bovinos (SNIRB), criado pelo governo socialista, é uma base de dados onde devem ser introduzidos todos os passos do animal, desde o seu nascimento até ao prato do consumidor. "O SNIRB é uma base de dados que deveria estar aprovada pela União Europeia. Não está porque a Comissão não considera que existam condições para a aprovar e tem havido visitas frequentes de peritos", comentou o bastonário Cardoso Resende."

Esta notícia deverá (deveria) ser comentada na segunda-feira pelo Ministério da Agricultura (MA) mal este abra as portas, às 9.00 da manhã. Ou talvez não. Vamos esperar... e ver como o MA vai lidar do ponto de vista mediático com este ataque (mais um) à confiança dos consumidores no sistema.


3.4.04

Inovação

Decorre durante este fim de semana na Exponor a feira Alimentação 2004. Quem quiser assistir à construção do mercado alimentar ibérico poderá ver como ele já se definiu. Paralelamente, decorreram diversos seminários interessantes na Sexta-feira e no Sábado (2 e 3 Abril). A palavra inovação aparece em todas as empresas do ramo as quais repetem continuadamente que sem inovação não é possível criar novos produtos agora que surgem novas necessidades. O problema na inovação alimentar prende-se com o tempo. Um exemplo? Adicionaram-se anti-oxidantes a tudo quanto era alimento sem qualquer regulação. Sumos com Vit. C, Cereais com Vit E, mais Selénio, Zinco e Betacarotenos em diversos alimentos. Por vezes, adicionaram-se estas vitaminas e oligoelementos a alimentos pobres que continham açúcar e pouco mais (sumos, cereais de pequeno-almoço...), apenas para lhe acrescentar valor. Ora os seres vivos possuem sistemas anti-oxidantes naturais, compostos por diversos enzimas, que ao receberem quantidades ocasionais e elevadíssimas destas substâncias adicionadas aos alimentos, poderão originar efeitos contrários, aumentando por exemplo a própria oxidação que se pretendia inibir. Neste momento desenvolvem-se investigações nesta área e existem indicações neste sentido. Qual o impacte da ingestão continuada de alimentos enriquecidos em anti-oxidantes no futuro ? Um cancro pode levar 10 anos a se desenvolver. Como avaliar o efeito desta inovação ?

1.4.04

Ingestão tardia de poucas calorias prolonga a vida

"ESTUDO
Ingestão tardia de poucas calorias prolonga a vida
A ingestão de poucas calorias prolonga a vida em qualquer idade. Um estudo norte-americano mostra que a redução da quantidade de calorias consumidas parece prolongar a vida dos ratos, mesmo quando essa redução ocorre tardiamente.
(...) Os resultados em ratos de laboratório permitiram à equipa da Universidade da Califórnia acreditar que nos humanos, seja qual for a idade, os benefícios podem ser idênticos basta que se comece a cortar nas calorias ingeridas a partir da próxima refeição."


Porque razão não existe bom senso e qualidade na escrita jornalistíca sobre temas delicados como este ? Quem ler este artigo poderá pensar que comer menos significa maior longevidade. O texto vem de um site de referência. Muitos dos nossos idosos comem menos do que deviam e com pior qualidade do que deviam. Qual o impacte destas notícias ? Quem as regula ?

E na área da nutrição ?

Para melhorar a vossa capacidade de fazer pesquisa na net aqui fica este interessante teste. Para quando uma coisa destas sobre nutrição e alimentação ?

31.3.04

Acrilamida

Esta substância tóxica utilizada na industria e presente no fumo dos cigarros foi detectada o ano passado e de forma acidental nos alimentos. Parece resultar do processamento térmico (fritar, assar...) e provavelmente sempre existiu nos alimentos. A FDA norte-americana revelou este mês os resultados de análises feitas a certos alimentos, como batatas-fritas e outros produtos consumidos regularmente. Vamos seguir atentamente este assunto. Por um lado, a acrilamida é tóxica e até cancerígena, por outro lado é provável que tenha existido nos alimentos processados desde que utilizamos o fogo... Como vão os nossos media divulgar este controverso assunto ? A seguir...

30.3.04

Hospital de S. João com ligação a galeria comercial

Notícia retirado do interessante Jornalismoportonet
um jornal digital de alunos da UP


"A cidade do Porto tem mais uma galeria comercial, o Campus São João. É um projecto inovador e a originalidade reside no facto de a galeria ter ligação directa ao hospital de São João. (...) Ontem, em dia de inauguração do espaço, Vítor Ruivo, presidente do Conselho Administrativo da Mundicenter, realçou que esta galeria tem um conceito diferente dos demais centros comerciais, pois “tem clientelas muito específicas”. Por um lado, dirige-se aos estudantes do pólo universitário da Asprela e, por outro, a todos que trabalham ou frequentam o hospital, que tem ligação directa à praça da restauração do Campus São João.
O administrador do Hospital São João passou em revista os problemas que estiveram por trás da construção do edifício e que levaram a que tivesse “um parto algo longo e difícil”. Segundo Mário Carvalho, as dificuldades resultaram da “originalidade do projecto” e da “difícil articulação da iniciativa pública com a iniciativa privada”.

Um breve comentário:

A partir de hoje os futuros licenciados da Universidade do Porto poderão passar a relembrar os bons velhos tempos de estudante passados na praça de fast-food deste centro comercial em pleno hospital. A sua cultura alimentar sairá enriquecida. A sua saúde sairá fortalecida. Mente sã em corpo sadio fruto do "investimento público" em articulação com o privado, zelando pelo bem estar dos futuros decisores deste país. Estes...aprenderão a comer com as mãos, com talheres de plástico, a conversar pausadamente de questões relevantes em ambiente calmo e sossegado e com um pouco de sorte ainda receberão brindes de peluche e jogos da Disney em cada visita. Paralelamente poderão observar as mães das crianças obesas que foram observadas na consulta de nutrição a oferecer um menú infantil (com pouco ketchup) aos seus rebentos que se portaram muito bem. Uma autêntica lição viva de cultura e promoção da saúde em ambiente hospitalar e universitário (muito procurado diga-se de passagem).

A relembrar

No nosso país ainda não existe regulação sobre a profissão de Nutricionista. Em todo o caso, recordo o que diz o Código de Ética do Profissional Nutricionista no Brasil um país bem mais "avançado" do que o nosso neste aspecto:

" Seção III - Das Proibições

Art. 9º. É vedado ao Nutricionista:

(...) valer-se de sua profissão para divulgar e/ou permitir a divulgação, em veículos de comunicação de massa, de marcas de produtos ou nomes de empresas, ligadas às atividades de alimentação e nutrição;
XI - dar, através de qualquer meio de comunicação de massa, atendimento individual, sob forma de consultas, diagnósticos ou dietas;"

Gostaria que alguns colegas reflectissem sobre este assunto controverso.

29.3.04

Transcrevo o excerto publicado no excelente webjornal - blog dedicado à comunicação e jornalismo citando Estrela Serrano na sua última coluna como Provedora do Leitor do DN:

"(...) a sensação que mais permanentemente acompanhou a provedora ao longo destes três anos foi a de que, apesar das sofisticadas técnicas de conhecimento das audiências, os jornalistas ou não conhecem os seus públicos (que não se confundem com as audiências) ou os ignoram. A ideia de que os jornalistas escrevem, sobretudo, para as suas fontes, para os seus pares e para as suas hierarquias continua a revelar-se pertinente."

Parece-me que esta frase se aplica de igual modo a muitos daqueles que escrevem sobre nutrição e alimentação nos nossos media. Saberão muitos deles quem é o seu verdadeiro público ? Qual o seu grau de literacia ? O que fica no fim da leitura destes textos ?

28.3.04

Fome em Portugal

A ler urgentemente se quisermos entender os mecanismos da fome: Pobreza e fomes - um ensaio sobre direitos e privações, de Amartya Sen, Prémio Nobel da Economia em 1998 e publicado em Portugal na editora Terramar. Este polémico economista desfez a noção que se passava fome quando faltava a comida. Para ele passa fome quem não consegue trocar o que produz por alimentos. E na nossa sociedade, com muito trabalho mas com baixos rendimentos, essa realidade dói cada vez mais. Em especial quando se esvazia o mundo rural e os laços que nos ligavam à produção agrícola. Aqui fica a primeira frase do Capítulo I:

"Morrer de fome é característico de algumas pessoas que não têm alimentos suficientes para comer. Não é característico de não haver alimentos suficientes para comer."

21.3.04

Paranóia securitária

Por esta Europa fora só se fala de segurança alimentar. Até os cozinheiros já são especialistas em hotelaria e segurança alimentar... Introduziu-se à força na nossa produção alimentar a palavra segurança alimentar. Criaram-se empresas para controlar a segurança alimentar. Instituíram-se símbolos para certificar a certificação. Assim, os alimentos mais seguros passaram a ser aqueles produzidos de forma uniforme, controlados higienicamente, embalados automaticamente, de forma barata, algures na China. Os nossos políticos ainda não pararam para pensar que a lógica securitária é uma das maiores ameaças ao nosso património cultural alimentar ?

20.3.04

Uma pérola

Gostaria de partilhar este pequeno texto "de divulgação científica" inserida no site da ARAP (Associação dos Refinadores de Açúcar Portugueses) .

"Factores dietéticos

O efeito da alimentação no desenvolvimento de cáries não é tão directo como se crê. Apesar de ter sido demonstrada a ligação entre o consumo de hidratos de carbono e a cárie dentária, este vínculo está, actualmente, a perder credibilidade na maior parte dos países europeus. Muitas pessoas consomem regularmente quantidades elevadas de açúcar e não sofrem de cáries nos dentes."

De facto, não existe aqui nenhuma incorrecção. Algumas crianças consomem regularmente grandes quantidades de açúcar mas depois de cada guloseima lavam os dentes, praticam desporto e vão ao dentista periodicamente. Essas, provavelmente não sofrem de cárie. No entanto, a maioria, (em especial as mais carenciadas) não lava os dentes depois de cada rebuçado, pratica pouco desporto e não tem acesso facilitado aos dentistas. Neste grupo, o açúcar pode contribuir de forma assustadora para a cárie, para obesidade e para uma enorme quantidade de patologias associadas.

A comunicação institucional destas associações e empresas utiliza cada vez mais a ciência para "vender" os seus produtos. Sendo a ciência algo de inacabado é sempre possível a sua utilização. Éticamente...já esta utilização é mais questionável. Deixo ao vosso critério.

19.3.04

Escrita anti-depressão

Os Portugueses que já eram deprimidos, estão piores nos últimos tempos. Contudo, aqui vão alguns excertos sobre a alimentação portuguesa e o Porto, publicados na revista Connect (ligada ao grupo Le Soir), número 70, de 15 de Março de 2004:" I went there to enjoy the Portuguese, and maybe to learn how they perfect that unique balance in their lives between what is really important and what in the end is simply superfluous." ..." Oporto is a city where enjoying yourself is immensely affordable. Dinner or lunch can cost only 15 Euros. For about 5 Euros you can have a "Francesinha" which is a Portuguese version of a croque monsieur, except a lot better." E a escrita na mesa continua assim, em tons de azul por duas páginas... Vá lá que o jornalista que escreveu não é do Porto nem pertence ao sistema do FCP.

10.3.04

Dúvidas

Duas frases que marcam uma discussão recente. Uma no editorial do boletim da Organização Mundial de Saúde (2003, 81,8):"Crianças com consumos elevados de refrigerantes ricos em açúcar possuem maiores probabilidades de serem obesas". Outra adoptada pelo governo norte-americano: "Os estudos realizados até agora são ainda insuficientes para suportar uma associação entre a ingestão deste tipo de bebidas e a probabilidade de uma criança se tornar obesa" (The Secretary of Health and Human Services, 2003). Como é que nós consumidores gerimos esta informação. E os profissionais da educação. E já agora... os jornalistas ?

8.3.04

Uma curiosidade. Quem visitou a Inglaterra e regressa lá agora percebe como está diferente a oferta. Mais variedade e qualidade dos frescos. Mais qualidade e variedade dos vinhos. Mais de tudo. Contudo, a cozinha dos indígenas, que me recebem sempre muito bem, continua pobre e engordurada. O que talvez queira dizer que a nossa forma de cozinhar muda mais lentamente do que a disponibilidade. O que talvez também pode querer dizer que quando quisermos mudar a nossa alimentação já poderá ser tarde.

De volta

Tal como previa não foi possível manejar o blogger de Manchester. Em todo o caso nas leituras de viagem ficou na retina uma coluna muito interessante no Independent escrita por Heston Blumenthal chamada The Appliance of Science. De uma forma simples tenta passar-se para o leitor algumas questões técnicas relacionadas com a prática culinária misturando a física, a química e outras ciências. Desta vez abordava-se o facto de por vezes se deixar a carne "descansar" durante alguns dias antes de cozinhar. Esta prática é muito comum com as peças de caça. Explica-se porque razão a carne pode ficar mais saborosa e a partir de quantos dias esta técnica deixava de ter efeito. Aqui fica uma sugestão para novos escritos na mesa sem ser sempre sobre a mesma coisa. Pode que a nossa literacia sobre ciência aumente tocando a comida e as suas artes que interessam a muita gente.

29.2.04

Caros amigos que partilham este espaço e o fazem amadurecer, vamos estar para fora durante a próxima semana. Apesar de a rede não ter fronteiras dificilmente conseguiremos colocar algo por aqui. Prometemos mais vigor e entusiasmo no regresso. Para os bloquinhos, uma mensagem especial.. o tempo corre depressa.

Higiene oral: o açúcar não é inimigo

A propósito do Mestre Emílio Peres e do seu discurso sobre o açúcar e ainda do recurso à ciência para legitimar determinadas mensagens na área da nutrição, leiam com olhos de ver um texto que começa assim no site da Associação dos Refinadores de Açúcar Portugueses.

"Nas últimas três décadas, apesar de o consumo de açúcar ter sido uma constante, as cáries dentárias em crianças e adolescentes da maioria dos países europeus têm decrescido. Quais serão as causas desta tendência positiva? Aparentemente, o mérito pertence a uma higiene oral melhor (escovar os dentes com mais frequência e usar fio dental) e ao flúor."


O mestre

Nesta radiosa manhã de Domingo recordo a escrita do Mestre Emílio Peres, sempre limpída e inspiradora: (desta vez a propósito do consumo de açúcar)

"Desde a Antiguidade até ao século passado, o açúcar foi acima de tudo produto de farmácia. Também distinguia os senhores ricos da bacia mediterrânica, sobretudo muçulmanos e italianos, que o usavam em festivas guloseimas dulcíssimas." In Alimentação Saudável. Ed. Caminho, 1991.

Em poucas palavras, o açúcar é devolvido à sua condição de alimento de luxo, ocasional e próprio de festejos, muito diferente daquele com que vivemos todos os dias nesta sociedade açucarada e obesa ... Viva o açúcar de ocasião depois da fausta refeição, ocasional, domingueiro... não aquele que diariamente perturba o funcionamento do fígado e pâncreas, empobrece refeições e favorece a cárie.

23.2.04

A propósito de um comentário sobre a utilização da ciência nos debates políticos veja-se a polémica em torno dos refrigerantes. A administração Bush criticou recentemente a OMS pelo facto de esta ter alertado para o impacto que estas bebidas podem ter no desenvolvimento da obesidade.Para a administração Bush, esta recomendação não tem fundamento científico pois até hoje os peritos não conseguiram provar que bebidas deste tipo têm influência no desenvolvimento da obesidade. Os argumentos e contra-argumentos desta discussão podem ser vistos no site de Henry Waxman e do seu grupo de trabalho.
O livro de Bjorn Lomborg: "The SKeptical Environmentalist" lançou uma tremenda polémica. Apesar de posteriormente o autor ter sido considerado "desonesto", o seu livro sobre o ambiente foi na altura um sucesso mediático lançando um grande debate sobre as questões ambientais. Contudo as suas conclusões (por ex: o ar de Londres é hoje mais puro do que em 1585) foram baseadas em estudos não revistos por colegas (peer-reviewed). O livro foi muito bem aceite pelos media. Este autor desconhecido começou a ter sucesso antes de o mundo académico ter tido tempo para analisar as conclusões emitidas no livro. A velocidade dos media sobre a análise crítica dos cientistas revela uma nova questão. Nestes tempos de grande velocidade deverá ser maior a responsabilidade dos media ? A história deste caso pode ser lida sumariamente no scienceandmedia

20.2.04

Nem de propósito, surgiu hoje uma referência ao relatório Henry Waxman no qual se demonstra como é que a política e a ciência estão cada vez mais perto. Serão apenas os políticos a manipular dados fornecidos pelos cientistas? No caso Português, as comissões de peritos têm servido basicamente para legitimar algumas decisões do poder político. Quando as conclusões são opostas ao que se queria, o estudo fica geralmente na gaveta. Outras questões, como o verdadeiro custo e eficácia dos Hospitais SA, por exemplo, merecem certamente uma análise económica e social de jornalistas especialistas na matéria com tempo para estudarem os temas. Quem comunica sobre nutrição necessita pois de um conhecimento aprofundado sobre a ciência mas também uma consciência crítica face à informação existente.

19.2.04

A responsabilidade é apenas de quem escreve ?

Recentemente (2002) Hugo Mendes escreveu sobre a visibilidade da ciência nos mass media, no livro organizado por Maria Eduarda Gonçalves intitulado "Os Portugueses e a Ciência" publicado pela Dom Quixote. A certa altura diz o autor "Enquanto os avanços científicos parecem apelar para o aprofundamento da reflexão sobre a responsabilidade dos cientistas, estes encontraram mais um grupo para o qual podem transferir parte dessa responsabilidade: os jornalistas". De facto, ouve-se frequentemente dizer que o jornalista não soube "ouvir" o que se transmitiu, que transformou a informação dada ou até que a descontextualizou. Parece-nos que, sendo actualmente a informação produzida pela ciência determinante para o nosso desenvolvimento humano e social, quem a produz deverá tentar perceber a melhor forma de a divulgar.

Comunicação Institucional - I

Os Nutricionistas e demais profissionais de saúde estão cada vez mais envolvidos nos processos comunicacionais das instituições. Recebemos 2 revistas onde essa actividade é relevante. A primeira chama-se Az-zait e pertence à Associação do Azeite de Portugal (www.casadoazeite.pt) tendo ganho recentemente diversos prémios a nível nacional e internacional. A segunda chama-se iogurte vivo e pertence ao Centro de Informação do Iogurte. Qual o papel do Nutricionista neste tipo de revistas ? Qual a dimensão ética do seu contributo e que questões se podem levantar ?

17.2.04

Uma nota breve e pessoal para os Bloguinhos:
O processo de criação dos weblogs da turma está activo. Aconselha-se grande sentido de ética e qualidade científica. A responsabilidade pelos "escritos" é vossa.

16.2.04

Descobri mais um interessante espaço de crítica na área da educação para a saúde. Muito interessante para Nutricionistas e Professores interessados nas questões da Saúde.

Dieta Mediterrânica

Há 300 anos, a carne de vaca era dura e provavelmente pouco apreciada na Península Ibérica. Comenta Cervantes, sobre Dom Quixote, cavaleiro na penúria, que no momento de entrar para a cavalaria a sua situação não iria melhorar pois comeria "mais seguidamente boi que carneiro".
Que riqueza tem este nosso padrão alimentar que herdou o carneiro e o grão dos Árabes e lhe acrescentou a canela e a pimenta dos Reinos de além-mar. Depois, chegou o Império do bife a cavalo e perdemos de vista o outro cavaleiro. Com o bife chegaram as natas, a carne picada e a gordura saturada de uma política agrícola em ruptura com as nossas raízes e entupidora das nossas artérias. Que diriam as nossas avós da crise da BSE ? Creio que entre um caldo verde e uma pratada de grão com massa iriam rir-se destas ansiedades modernas...
Esta semana vão juntar-se ao blog mais bloguinhos. Trata-se de um projecto desenvolvido na disciplina de comunicação da licenciatura em Ciências da Nutrição da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP). O objectivo é construir uma rede de crítica construtiva ao que se escreve sobre nutrição na nossa imprensa. Tentarei dar conta do andamento do projecto aqui, bem como colocar brevemente os links para os respectivos espaços críticos.

15.2.04

Escrever sobre alimentação implica responsabilidade - II

Apanho diversas frases soltas do artigo "A revolução na nossa mesa" publicado na Revista Focus nº 225 de 2004 assinado por Patrícia Correia Branco:

" Então o melhor é usar apenas azeite e vinagre que, apesar de terem muitas calorias, são consideradas gorduras saudáveis".

"A dieta mediterrânica... é rica em proteínas, vitaminas e outras substâncias essenciais..."

O vinagre obviamente não é uma gordura. Quanto à dieta mediterrânica poderemos acrescentar que se trata de um padrão alimentar onde está presente o azeite como gordura central. Os produtos hortícolas, as frutas e os cereais abundam, assim como as leguminosas (feijão, grão, lentilha...) que são muito frequentes. O vinho ou o chá bebe-se ocasionalmente a acompanhar as refeições. A carne e o pescado consomem-se com bastante moderação. Este padrão alimentar com grande recurso aos produtos vegetais e promotor de uma grande frugalidade, fornece uma grande quantidade de substâncias protectoras, gordura e hidratos de carbono de grande qualidade. Ao contrário dos padrões alimentares dos países do Norte da Europa, a quantidade total de proteína é moderada ou até baixa. Isto não impede as populações que praticam este regime alimentar de terem grande longevidade e menor prevalência de doença oncológica e cardiovascular. Para saber mais sobre este assunto aconselho a visita de um espaço na net dedicado ao assunto.





14.2.04

Escrever sobre alimentação implica responsabilidade - I

A primeira questão que salta à vista neste texto da Focus são algumas frases que podem prejudicar seriamente quem as lê. Um exemplo ? Aqui vai. "Água, sumos naturais e bebidas sem açúcar, álcool e cafeína são as mais indicadas para matar a sede". A forma como a frase está escrita pode levar a pensar que o álcool e a cafeína são substâncias indicadas para "matar a sede". O álcool e cafeína são substâncias com efeito diurético, podendo actuar como desidratantes, precisamente o contrário do que se diz no texto. Quem bebe álcool para matar a sede acelera a desidratação que em casos extremos pode originar a morte. Quem bebe regularmente álcool para matar a sede, substituindo a àgua, corre o risco de afectar fígado e rins, o sistema nervoso e órgãos mais activos como o pâncreas.
Apesar de em seguida se tentar explicar o mecanismo de actuação da cafeína e do álcool sobre a nossa saúde, a pontuação desta frase pode afectar o seu entendimento e prejudicar a saúde de quem a lê.

11.2.04

Revista Focus

A revista Focus nº 225 de 4 de Fevereiro vais ser o nosso primeiro tema de debate. Com o título "A revolução na nossa mesa" a colaboradora Patrícia Branco escreveu um texto sobre a nova Roda dos Alimentos. Neste texto (páginas 32 a 35) encontrámos dezenas de imprecisões que iremos analisar à lupa nos próximos posts.

2.2.04

Gostei de um projecto da Universidade do Minho com a disciplina de jornalismo. A experiência é muito interessante e extremamente concorrida.

1.2.04

O nosso objectivo é fazer uma crítica construtiva à escrita sobre nutrição nas revistas e jornais que se publicam em Portugal. Neste projecto estão envovidos vários grupos de pessoas, todos estudantes do ensino superior, com interesse pelas ciências da nutrição. Estes grupos irão manter activos espaços de crítica até pelos menos Junho de 2004. Os endereços serão divulgados em breve. Depois desta data logo se verá.

A primeira questão a debater é o que entendemos por crítica construtiva.
Pretende-se rigor científico. Esse critério é relativamente simples, apesar de nem sempre a ciência ser a preto e branco.
Pretende-se clareza. Ser claro significa passar a mensagem de forma simples e acessível a todo o público alvo. Bem sabemos que aqui a coisa torna-se mais difícil de avaliar. Tentaremos ser justos.
Pretende-se consistência. As ciências da nutrição nasceram há pouco tempo e, como em muitas outras áreas do saber, existem ainda muitas dúvidas. Quem escreve deve dar a sua opinião e colocar os seus argumentos na mesa de forma ordenada.
Pretende-se sentido ético. Quando sentirmos que o objectivo está situado para além daquilo que entendemos como divulgação científica não vamos hesitar e chamaremos a atenção.
Pretende-se também algum prazer. Da ironia, do sentido de humor, da boa escrita, dos temas interessantes, da mais valia que trouxeram ao nosso dia-a-dia.
Esperamos agora que os visados entendam que este espaço experimental é um pequeno e muito modesto contributo para a melhoria dos conteúdos. Nada mais. Esperamos todos "crescer" nesta troca de opiniões, neste debate...